A ciência moderna redescobriu esta prática humana milenar e vem desmistificando as crenças em torno do jejum.

O medico Eduardo Gomes de Azevedo fala sobre pesquisas atuais apontam importantes benefícios, como a otimização do metabolismo, melhor função cognitiva, menor incidência de câncer, melhor imunidade, maior longevidade e melhor controle de peso.

Há anos o jejum tem sido usado na Europa como tratamento médico. Muitos spas e centros de tratamento, especialmente na Alemanha, Suécia e Rússia, usam com supervisão médica.

Nas últimas décadas, a prática ganhou popularidade através da medicina alternativa americana, que foca no benefício da desintoxicação, seguindo o princípio de que o acúmulo de substâncias tóxicas no organismo é responsável por muitas doenças e condições.

Sob ótica semelhante, desde 1935 a ciência vem mostrando que uma restrição calórica em todos os seres estudados – desde leveduras a humanos- proporciona um aumento da extensão da vida e proteção contra doenças relacionadas ao envelhecimento.

Mitos e Crenças 

Não tomar café da manhã engorda?

Não. O café da manhã é benéfico para algumas pessoas, mas para outras não. Um ensaio clínico controlado randomizado de 2014 o consumo ou não do café da manhã em 283 adultos com obesidade e sobrepeso e concluiu que o hábito de realizar esta refeição não influencia na perda de peso.

Jejuar desacelera o metabolismo?

Não. O jejum aumenta o metabolismo e isto é devido a diferentes fatores, como a liberação de alguns hormônios do estresse (ex.: norepinefrina e cortisol), os quais estimulam o organismo para utilizar as células adiposas como fonte de energia e influenciam para uma menor perda de massa magra. A redução do metabolismo acontece com dietas hipocalóricas por períodos prolongados, e não por pequenos períodos de jejum.

A fome aumenta com o jejum?

Não. Uma potencial barreira para o jejum é a preocupação das pessoas em relação a passar fome. Já os dados sugerem que as barreiras preconcebidas ao jejum não correspondem à realidade vivida por aqueles que praticam de forma regular. Pelo contrário, o jejum diminui o hormônio estimulante da fome, a grelina, e pacientes que adotaram a prática relataram que o apetite tende a diminuir.

O cérebro necessita de uma constante fonte de glicose?

Não. Além da glicose, os corpos cetônicos são uma grande fonte de combustível para o cérebro, que inclusive, pode funcionar metabolicamente melhor sem eles. Quando a glicose dos alimentos e o glicogênio do fígado e dos músculos acabam, a energia é produzida endogenamente pelo processo chamado de gliconeogênese, no qual ocorre a transformação de proteínas e gorduras em glicose. Posterior ao segundo ou terceiro dia de jejum, os níveis baixos de insulina estimulam a lipólise para produzir corpos cetônicos que proverão energia ao cérebro.

O jejum causa baixa açúcar no sangue (hipoglicemia) ?

Não. Os níveis de glicose no sangue são monitorados de perto pelo organismo e existem múltiplos mecanismos compensatórios para mantê-los em um nível adequado através do glicogênio, glicogênese e glicerol (transformando gordura em energia).

O jejum priva o corpo de nutrientes?

Não. Existem dois tipos de nutrientes: micro e macronutrientes. Durante o período de jejum, o corpo recicla os elementos que seriam eliminados pela urina e fezes. Uma alimentação saudável entre os períodos de jejum repõe todos os nutrientes necessários.

Algumas contraindicações absolutas para o jejum são:

1.Pessoas severamente mal nutridas ou abaixo do peso.

2.Menores de 18 anos.

3.Gestantes e lactantes.

Consulte um médico antes de realizar um jejum. É importante começar a prática gradualmente, iniciando em horário que lhe seja confortável para que seu corpo possa ir se adaptando às mudanças que você possa desfrutar do processo.

Confira alguns livros pulicados pelo medico e escritor Dr. Eduardo Gomes de Azevedo

Tudo Novo em Seu Corpo – Vol. I

Tudo Novo em Seu Corpo – Vol II

Dieta do Dna – O Futuro Já Chegou

FONTE: REVISTA ESSENTIA 12º EDIÇÃO PÁG. 9-14.